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R.Pext 2015 Principais

Revista Política Externa
Que a OMC tenha resistido e preservado, ainda que de forma precária, seu papel como foro negociador e seu sistema de solução de controvérsias, é uma demonstração de que a organização segue sendo vista pelos seus membros, desenvolvidos e em desenvolvimento, como uma instituição e um conjunto de regras relevantes e mesmo essenciais. Na verdade, a relevância da OMC cresceu com a crise e com as transformações em curso. Sem a âncora da OMC e do sistema multilateral de comércio um mundo mais multipolar, como o que ora se desenha, com potências e cadeias produtivas regionais, poderia evoluir para um mundo de blocos com modelos excludentes de regulação. Além disso, a busca por mercados como forma de sair da crise poderia levar a uma competição selvagem onde ao final todos perderiam. Esses desafios seguem presentes reafirmando a necessidade de fortalecer o SMC e seu pilar central a OMC.
R.Pext 2015 Principais - Revista Política Externa - Seu destaque ou posição 3793-3799 | Adicionado: quarta-feira, 2 de setembro de 2015 19:50:42
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Como toda transformação importante ela passou por avanços e retrocessos: as negociações agrícolas e a atuação do G20 são bons exemplos dessas idas e vindas. Enquanto a Rodada se desenvolvia as transformações no mundo foram se acelerando e novos desafios foram sendo colocados com o surgimento de temas fora da agenda e o deslocamento do interesse negociador para outras áreas. Exemplos dessas tendências são o foco em cadeias globais de valor e nos temas de regulação e a interpenetração entre temas comerciais e geopolíticos presente no lançamento das negociações do TTP e do TTIP. A essas dificuldades estruturais veio juntar-se a maior crise econômica desde a crise de 1929, a qual, como aquela, teve seu epicentro nos países desenvolvidos, mas afetou todo o mundo. Se não houve um protecionismo sistêmico, o que se deve, em parte, à OMC, também seria muito esperar que a liberalização comercial caminhasse, ainda mais quando boa parte dela recairia nas políticas agrícolas dos países desenvolvidos onde o desemprego atingiu níveis críticos.
R.Pext 2015 Principais - Revista Política Externa - Seu destaque ou posição 3785-3792 | Adicionado: quarta-feira, 2 de setembro de 2015 19:49:18
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Assiste-se a um deslocamento do poder econômico, que antecede a crise, mas foi por ela acelerado. Esse deslocamento tem uma dimensão Norte-Sul, com os países em desenvolvimento concentrando hoje uma percentagem crescente do PIB e do comércio mundial, com fluxos crescentes de comércio e investimento entre eles, e uma dimensão Leste-Oeste, com a região do Pacífico suplantando o Atlântico como centro e motor da globalização. Nessas condições, vemos o crescimento de forças favoráveis a uma redistribuição do poder e forças que se contrapõem e tentam preservar a ordem vigente.
R.Pext 2015 Principais - Revista Política Externa - Seu destaque ou posição 3778-3782 | Adicionado: quarta-feira, 2 de setembro de 2015 19:46:25
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Por outro lado, a mudança no panorama energético e a queda recente nos preços do petróleo produzirão câmbios nos fluxos financeiros de grande magnitude e podem alimentar o reordenamento em curso na economia global.
R.Pext 2015 Principais - Revista Política Externa - Seu destaque ou posição 3776-3778 | Adicionado: quarta-feira, 2 de setembro de 2015 19:45:54
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Na Europa e no Japão o panorama na área econômica é muito mais preocupante. Nos países emergentes e no mundo em desenvolvimento, em geral, as taxas de crescimento estão arrefecendo mostrando que numa economia globalizada não há ilhas isoladas de prosperidade. Na própria China, que hoje responde por cerca de 30% do crescimento mundial, os desafios para levar adiante as reformas e sustentar taxas de crescimento da ordem de 7% são crescentes.
R.Pext 2015 Principais - Revista Política Externa - Seu destaque ou posição 3771-3774 | Adicionado: quarta-feira, 2 de setembro de 2015 19:45:43
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A conjuntura atual está marcada pela incerteza com relação aos rumos da economia global.
R.Pext 2015 Principais - Revista Política Externa - Seu destaque ou posição 3769-3770 | Adicionado: quarta-feira, 2 de setembro de 2015 19:44:59
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momento como o atual, marcado por uma conjuntura negativa e pelas transformações estruturais em curso, profundas e complexas. Estamos simplesmente frente a um processo de desestruturação do ordenamento internacional montado no pós-guerra e diante da incapacidade de desenhar novas regras e instituições que deem respostas aos desafios do século XXI. Trata-se de uma crise sistêmica que abarca as formas de regulação da economia, da política e das relações internacionais. Esse será um período longo de transição e o porto final ao qual chegaremos é incerto.
R.Pext 2015 Principais - Revista Política Externa - Seu destaque ou posição 3765-3769 | Adicionado: quarta-feira, 2 de setembro de 2015 19:44:04
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A OMC tem futuro? por Clodoaldo Hugueney Filho em 27/02/2015
R.Pext 2015 Principais - Revista Política Externa - Seu destaque ou posição 3713-3714 | Adicionado: quarta-feira, 2 de setembro de 2015 19:34:11
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Regimes Internacionais são fundamentalmente construções institucionais (princípios, normas, regras e procedimentos de tomada de decisão) que reduzem as incertezas, proporcionam informações aos atores e facilitam e promovem a cooperação entre eles. Pode-se ainda afirmar que eles são instituições internacionais que se caracterizam pela durabilidade, pela especificidade temática e, particularmente, pela inclusão de mecanismos de escolha coletiva.[35] Há três dimensões que afetam a propensão dos atores em cooperar: a mutualidade de interesses, a sombra do futuro e o número desses atores.[36]
R.Pext 2015 Principais - Revista Política Externa - Seu destaque ou posição 2601-2607 | Adicionado: quarta-feira, 2 de setembro de 2015 19:04:39
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O documento que resultou do encontro, ?Chamado de Lima para a Ação sobre o Clima?, aponta para quatro pontos principais: 1) os países industrializados concordam que sua responsabilidade pelos cortes de CO2 é maior, mas isso não significa que os países em desenvolvimento não devem fazer nada: pela primeira vez todos terão que apresentar metas de cortes de emissões; 2) tais promessas devem ser informadas até março de 2015, com o compromisso de apresentar planos e ações para conter o aquecimento após 2030, mas não foram estabelecidos parâmetros e padrões para tais metas; 3) além do corte de CO2, os países deverão ter metas de adaptação ao aquecimento global; 4) a pedido dos países africanos, foi mencionada a questão das ?perdas e danos?, que significa que os países ricos devem oferecer compensações a países que sofrem impactos do aquecimento global, como tempestades e secas mais frequentes.
R.Pext 2015 Principais - Revista Política Externa - Seu destaque ou posição 2535-2542 | Adicionado: quarta-feira, 2 de setembro de 2015 18:57:35
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A COP-16 foi marcada pelo anúncio de que Japão, Canadá e Rússia não participariam da segunda etapa do Protocolo de Kyoto, fato confirmado na COP-17, quando estes países anunciaram que não apresentariam metas de redução para o próximo período, isentando-se de quaisquer compromissos. O ponto positivo foi a aprovação de um roteiro, proposto pela União Europeia, para um novo acordo global legalmente vinculante para a redução de emissões de gases de efeito estufa, e aplicável aos países desenvolvidos e em desenvolvimento. O problema foi o prazo estabelecido: o tratado somente será assinado em 2015, entrando em vigor em 2020. A COP-18 prorrogou o Protocolo de Kyoto até 2020, garantindo sua sobrevivência como o único instrumento legal internacional que obriga a limitação das emissões, mas bastante enfraquecido, sem contar com Japão, Rússia, Canadá e Nova Zelândia (além dos EUA, que nunca o ratificaram), e implicando que os países que se comprometeram a reduzir emissões nesse segundo período ? 2013-2020 ? representam apenas 15% do total. A COP-19, realizada em Varsóvia, em 2013, foi marcada por conflitos entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento quanto à redução das emissões de gases de efeito estufa, ocasião em que os países emergentes, notadamente a China e Índia, responsabilizaram os países industrializados pelos problemas climáticos e reivindicaram o seu direito ao desenvolvimento. Em função do impasse generalizado na Conferência, houve um fato inusitado: as ONGs presentes se retiraram no penúltimo dia do encontro em protesto contra a lentidão e a falta de progresso nas negociações. A Conferência das Partes de Lima, em 2014, COP-20, terminou com um acordo fraco, no qual quase tudo com que os países se comprometem é vago, desarrumado e voluntário, segundo
R.Pext 2015 Principais - Revista Política Externa - Seu destaque ou posição 2521-2534 | Adicionado: quarta-feira, 2 de setembro de 2015 18:55:05
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COP-10, ocorrida em Buenos Aires, em 2004, com 200 países presentes e 6 mil participantes, foi marcada pela adesão russa ao Protocolo de Kyoto, e a certeza de que ele entraria em vigor em fevereiro de 2005;
R.Pext 2015 Principais - Revista Política Externa - Seu destaque ou posição 2513-2514 | Adicionado: quarta-feira, 2 de setembro de 2015 18:51:53
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A análise dos resultados obtidos nas sucessivas Conferências das Partes, a partir da COP-1, realizada em Berlim, em 1995, demonstra bem as dificuldades. Há três fases que podem ser notadas:[26] a) A primeira, mais ativa, representou a busca de ações mais enérgicas e efetivas para a mitigação do efeito estufa. Na COP-1 foi definido que seria elaborado um protocolo ou instrumento com comprometimento legal entre as partes que tornasse oficial a questão, sendo fixado prazo até 1997. Mas nessa mesma COP foi definido o ?princípio da responsabilidade comum, mas diferenciada?, segundo o qual os países desenvolvidos deveriam tomar as iniciativas de reduzir suas emissões, excluindo os demais dos compromissos em função da necessidade do desenvolvimento e redução da pobreza. A COP-2, em Genebra, não trouxe grandes novidades, enquanto na COP-3, em Kyoto, foi adotado o Protocolo que estabelecia o compromisso dos países desenvolvidos (listados no Anexo I) de reduzirem, até 2012, 5,2% das suas emissões de gases de efeito estufa em relação aos níveis de 1990; b) A segunda, marcada pela preparação da entrada em vigor do Protocolo de Kyoto (que só aconteceria em 2005, sendo exigida a adesão de 55 países, englobando as partes incluídas no Anexo I responsáveis por 55% das emissões em 1990), desenvolveu-se nas COPs 3, 4, 5 e 6, sendo necessário convocar uma segunda rodada da COP-6 (a chamada COP-6,5, realizada em Bonn em julho de 2001) para fazer concessões em relação ao Protocolo de Kyoto e evitar o seu fracasso total, após a renúncia dos Estados Unidos.
R.Pext 2015 Principais - Revista Política Externa - Seu destaque ou posição 2498-2510 | Adicionado: quarta-feira, 2 de setembro de 2015 18:51:46
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Há alternativas e caminhos para a redução das emissões de gases de efeito estufa, que passam por ações de cunho econômico (taxação do carbono, criação de mecanismos de controle de emissões através de licenças), político (como compromissos dos Estados nacionais em diminuir suas emissões), e tecnológico (como pesquisa e desenvolvimento da energia renovável, e mesmo da geoengenharia). O grande problema, desde a década de 1990, é a concertação dos interesses, capaz de resultar em ações efetivas globais. Até aqui, predominaram os conflitos, a ausência de cooperação e a indiferença de muitos países.
R.Pext 2015 Principais - Revista Política Externa - Seu destaque ou posição 2467-2471 | Adicionado: quarta-feira, 2 de setembro de 2015 18:46:17
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E há fatos novos. Um estudo (?Renewable Power Generation Costs in 2014?), lançado na 5ª Assembleia da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), realizada em Abu-Dhabi entre 19 e 22 de janeiro de 2015, mostrou que o custo de geração de eletricidade a partir de biomassa, hidroeletricidade, geotérmica e eólica produzida em terra já é competitivo, mesmo com a forte queda do petróleo. O custo da produção de energia solar caiu pela metade entre 2010 e 2014, aumentando de forma significativa sua competitividade. E a queda do preço do petróleo traz como consequência tornar inviável sua exploração em áreas difíceis, como o Ártico e as águas profundas, beneficiando o desenvolvimento da energia renovável, cujos custos de tecnologia estariam em queda.
R.Pext 2015 Principais - Revista Política Externa - Seu destaque ou posição 2456-2461 | Adicionado: quarta-feira, 2 de setembro de 2015 18:42:53
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exploração e produção do gás de xisto (shale oil e shale gas) em larga escala nos Estados Unidos reduziu o consumo de carvão, mas não eliminou a emissão de CO2 (apenas reduziu em relação ao carvão) e pode desencadear sérios problemas ambientais no processo de extração, através da fratura hidráulica das rochas.
R.Pext 2015 Principais - Revista Política Externa - Seu destaque ou posição 2441-2444 | Adicionado: quarta-feira, 2 de setembro de 2015 18:40:36
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Martin Wolf lista oito possibilidades para enfrentar o problema:[16] 1º) implementar impostos sobre emissões de carbono; 2º) optar pela matriz nuclear; 3º) impor padrões de emissão rígidos sobre automóveis, eletrodomésticos e outras máquinas; 4º) criar um regime de comércio mundial seguro dos combustíveis com menos carbono, reduzindo assim a dependência do carvão; 5º) promover o financiamento de transferências das melhores tecnologias disponíveis para gerar e economizar energia; 6º) investir em pesquisa e inovação, com financiamentos públicos a universidades e promoção de parcerias público-privadas; 7º) investir em adaptação aos efeitos da mudança climática; 8º) estudar a possibilidade de lançar mão da geoengenharia, com manipulação em grande escala na Terra para reverter o aquecimento global.
R.Pext 2015 Principais - Revista Política Externa - Seu destaque ou posição 2419-2427 | Adicionado: quarta-feira, 2 de setembro de 2015 18:38:57
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Um aumento de 4ºC na temperatura pode levar à fome em massa. O aquecimento traria como consequência o desequilíbrio climático intenso em várias regiões do planeta, com secas mais intensas e prolongadas ao lado de enchentes e inundações de grandes proporções. A falta de água já é uma realidade em vários pontos da Terra, e a prolongada estiagem na região Sudeste do Brasil no verão de 2015 é atribuída às mudanças climáticas em curso, embora, como ressalta o climatologista Carlos Nobre, seja prematura tal conclusão, que exige estudos complexos globais.[12] Sem água, a produção global de alimentos será fortemente afetada, já que regiões inteiras poderão se tornar quentes demais para o cultivo, estimando-se que, em 2030, a percentagem de terra sujeitas a estiagens deve aumentar dos 3% atuais para 30%.
R.Pext 2015 Principais - Revista Política Externa - Seu destaque ou posição 2396-2402 | Adicionado: quarta-feira, 2 de setembro de 2015 18:35:56
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Com aumento de temperatura média de 2ºC, o verão no Oceano Ártico poderá não apresentar mais gelo em 2050, ou talvez mesmo em 2030. O nível do mar não subiria dois metros, como mencionado na mídia, mas vários centímetros, o suficiente para causar inundações em várias áreas costeiras, a maioria localizada em países pobres, como Bangladesh. E as costas teriam que ser protegidas, como é o caso da Holanda, que possui um terço de seu território abaixo do nível do mar, ou da região litorânea do leste dos Estados Unidos.
R.Pext 2015 Principais - Revista Política Externa - Seu destaque ou posição 2391-2394 | Adicionado: quarta-feira, 2 de setembro de 2015 18:35:19
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Não restam dúvidas de que a maior concentração de gases de efeito estufa na atmosfera eleva a temperatura global. E suas emissões são produzidas em duas grandes áreas: os processos industriais, que incluem a geração de energia pelo uso de combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás) e o transporte em geral (59% do total), e a mudança no uso do solo ? desmatamento, queimadas para agricultura, criação de gado etc. Nesta segunda categoria, 17% são causados pela destruição das florestas e 14% pela agricultura, principalmente pela pecuária, já que ela gera 37% das emissões de metano relacionadas aos seres humanos. Os restantes 10% são causados pelos outros gases de efeito estufa, como o óxido nitroso e os gases fluorados ? HFCs, PFCs e SF6, de grande potencial de aquecimento global.
R.Pext 2015 Principais - Revista Política Externa - Seu destaque ou posição 2375-2381 | Adicionado: quarta-feira, 2 de setembro de 2015 18:33:42
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